sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Um pedaço do Egito em Paris






























A área de Egiptologia do Louvre gera muita controvérsia. Muitas vezes acusada de pilhagem, o departamento de Antiguidades do Egito do Musée do Louvre conta com aproximadamente  50 mil objetos oriundos desse país.












                                                 Fragmentos da estátua do rei Ramsés II, 1429 a.C.



O departamento de Antiguidades do Egito foi criado em 1826 por ordem de Carlos X, impressionado pelas descobertas do egiptólogo Jean-Françoin Champoillon que enviava achados arqueológicos ao museu.











                                                 
































Acima o falcão protetor do rei Nectanebó II, 359 a.C, da 30ª dinastia.



A coleção egípcia do Louvre está instalada na ala Denon e em salas do Cour Carré e é rica em papiros, amuletos, múmias, esfinges, sarcófagos, instrumentos musicais, jóias, jogos, armas e vestuários.


Uma das maiores obras-primas da coleção egípcia é o Escriba Sentado , da IV ou V dinastia, datada de 2620 a 250 a.C., encontrada nas escavações de Sakkara no século XIX. A estátua não possui nenhuma identificação, mas conservou as cores originais o que levou os museólogos a determinarem que seria a figura de uma personalidade importante.


Os escribas egípcios possuíam grande ascensão social, nivelados a guerreiros e sacerdotes. A escultura é de calcareo pintado e os olhos em cristal de rocha, conferindo um olhar inteligente a fisionomia do rosto.  



























Acima, o fragmento da estátua de um núbio. Abaixo, vitrines com amuletos diversos.

 

Mas o grande precursor dos estudos egípcios na França foi Napoleão Bonaparte. Com sua ânsia conquistadora, partiu para o Egito cercado de estudiosos.













































Lá fundou o Instituto Egípcio, com estudiosos em matemática, física, economia e artes. 


  

 Os estudiosos percorriam cerca de 40 quilômetros por dia para estudar o Egito.
 

O responsável pelos estudos foi Denon, nomeado por Napoleão, e que mais tarde viria a ser o curador do futuro Musée du Louvre. Os estudiosos trouxeram diversas pedras com hieróglifos talhados e pintados na pedra.




























Esses estudiosos publicam o livro Uma Viagem ao Alto e Baixo Nilo, com as viagens a Luxor e Karnak.


Acima, a escultura do deus Osíris.






























A esfinge do Rei Thoutmosis IV ou Esfinge de Tanis, uma das maiores esfinges expostas fora do Egito. Seu tamanho é 4,8 metros de comprimento, 1,83 metro de altura e 1,5 metro de largura.




























A bela esfinge de Tanis foi encontrada nas ruínas do Templo de Amun, a capital do Egito antigo, e cuja data aproximada é de 2600 a.C.





























Ramsés II foi o faraó que teve o reinado mais longo da história egípcia, seu reinado durou de 1279 a 1213 a.C, e foi um dos faraós com mais prestígio.




























Abaixo, talhado em madeira, Hapidjefai, uma escultura do governador da provincia d'Assiout, de 1808 a.C., da 18ª dinastia.




























Acima, as grandes estátuas de Sépa, da 3ª dinastia, de 2700 a.C.





























A maior parte de arte egípcia era produzida para os mortos, que levavam  tudo que achavam ser necessário na outra vida, inclusive as imagens utilizadas na vida terrena. O sarcófago da foto acima possui várias camadas com a intenção de proteger o corpo da múmia.




































Criptas especiais dedicadas ao deus Osiris contém sacófagos e animais mumificados, e remontam ao Novo Império (1555 a 1080 a.C.).


































Acima, o sarcófago do grande intendente Djéhoutyhétep, da 10ª dinastia.





























Abaixo, as tampas de caixão de um rei da 17 ª dinastia, revestido de madeira e pintado, olhos embutidos com pedra.
































Abaixo, a múmia egípcia Yam Caradec, que foi instalada em uma cama funerária feita em madeira e bronze, decoradas com patas de leão.



O Louvre possui artefatos de todo os tamanhos, de peças mínimas até esfinges, colunas e estátuas enormes.




























Mas nem tudo são rosas na relação do Louvre com o governo egípcio. Em 2009, o país acusou o museu de adquirir quatro peças roubadas do templo de Luxor nos anos 80 e expor no museu, entre elas, o busto de Nefertite, a mulher do faraó Akhaton.






















A coleção egípcia está dividida na ala Sully (pisos 1, 0 e -1) e ala Denon (piso -1).



terça-feira, 22 de novembro de 2016

Os pintores franceses no Louvre



Os grandes pintores franceses, anteriores ao final do século 19, estão reunidos no Louvre e fizeram parte dos movimentos Barroco, Romântico e Neoclássico.   No movimento Romântico, Eugéne Delacroix foi o principal expoente do movimento. Na Liberdade conduzindo o povo, se auto-retratou como o homem da cartola, que empunha a espingarda, embora fosse posterior a Revolução Francesa. 

A Liberdade Conduzindo o Povo


À sua frente Marianne, a a alegoria da Liberdade, conhecida como Marianne, brande sua bandeira seguida pelo povo armado. Vário corpos caídos pelo caminho vão retratando a grandeza da A Liberdade Conduzindo o Povo

A Liberdade Conduzindo o Povo

A Cruzada sobre Constantinopla, de Delacroix

A pintura acima intitula-se A Cruzada sobre Contantinopla recorre ao tema sobre o Oriente, e abaixo, à esquerda, o quadro de Delacroix O Massacre de Quios retrata um episódio da guerra entre Turquia e Grécia, durante a Guerra de Independência da Grécia, onde os turcos abusaram de mulheres, crianças, idosos e cerca de 50 mil pessoas morreram. A pintura é de 1824. 

  
                                            O Massacre de Quios                                                      Medea Furiosa

 Acima, à direita,a bela Medea Furiosa, uma bela pintura do fim da vida do pintor, onde retrata a divindade grega vingando-se de Jason pelo seu abandono, matando seus filhos. Medea, bem como Marianne fazem parte das belas mulheres de Delacroix. Outra pintura do mestre é Shipwreck of Don Juan, de 1840, na foto abaixo.

Shipwreck of Don Juan
 Jacques-Louis David foi o pintor oficial de Napoleão Bonaparte e dominou durante anos a cena artística francesa, devido sua influência junto ao imperador.

A Coroação de Napoleão

A Coroação de Napoleão
Napoleão e o pintor se admiravam mutuamente e Jacques-Louis pintou o monumental, no tamanho, A Coroação de Napoleão, onde também desposa Josefina.

A Coroação de Napoleão

A Coroação de Napoleão

A Coroação de Napoleão
Um belo quadro de  Jacques-Louis David é O Rapto das Sabinas, fato histórico do início da história de Roma, quando Rômulo determinou aos seus conterrâneos que sequestrassem as mulheres da civilização vizinha para povoar Roma. 

O Rapto das Sabinas



























 Na foto abaixo, a beleza da pintura do Rapto das Sabinas na parede do Louvre.

Ala Denon, 1º andar

Belos retratos sempre foram a especialidade de Charles LeBrun, um dos pintores que serviram o rei Louis XIV. Abaixo, à esquerda, Madame Rosseau e sua irmã e à direita, Madamé Louise Elisabeth LeBrun e sua filha.  

 
                             Madame Rosseau e sua irmã                                                          Madame Louise Elisabeth LeBrun e sua filha

Abaixo, obra de Pierre Paul Prudhon, outro artista francês.
























A Jangada de Medusa, de Théodore Géricault foi exposto no Salon de 1819 e faz referência aos 149 náufragos da jangada de Medusa, abandonados durante 12 dias na costa senegalesa, quando somente 15 sobreviveram. Em tempos de refugiados africanos e sírios atravessando o Mediterrâneo, o quadro foi um precursor da triste realidade atual.

Jangada de Medusa
Anne-Louis Girodet foi um aluno de Jacques-Louis David. Abaixo, o Funeral de Atala.

Funeral de Atala






























Outro quadro seu é Scené de Luge (abaixo).





























Abaixo a obra L'Ecole d'Apelle, de Jean Broc, de 1800.

































Essas obras estão na ala Denon, no primeiro andar, na sala destinada a obras de artistas franceses pintadas em telas de grande porte.

Ala Denon, 1º andar




Outras obras de menor porte estão no 2° andar das alas Richelieu e Sully.

São Sebastião assistido por Irene
























Um dos ótimos pintores franceses, do período barroco é George de La Tour. Nascido na região de Lorena, George de La Tour era conhecido pelos seus efeitos de luzes noturnas nas pinturas. Acima, São Sebastião assistido por Irene, de 1634.

O Trapaceiro

















O quadro O Trapaceiro foi descoberto em 1926 e gerou estudos sobre a obra diurna, não muito comum, de George deLa Tour. O tema do trapaceiro havia sido proposto por Caravaggio, anteriormente. Na pintura, estão reunidas três tentações contra a moral da época: jogo, mulheres e vinho.

Pietá de Avignon





























Acima, a Pietá de Avignon de Enguerrand Quarton, de 1444. Abaixo, Reunion dans un cabaret, de Valentin du Boulogne, conhecido como  Le Valentin.


Retrato de  Louis XIV, de Hyacinthe Rigaud, retratista oficial do rei de da alta nobreza. Pouco luxo é bobagem. Os detalhes das roupas do monarca, apelidado de Rei-Sol, é destinado a imortalizar o rei ante seus súditos.


Archivo:Louis XIV of France.jpg
Reunion dans un cabaret


























































François Boucher pintava quadros pictóricos como Diana saindo do banho ( foto abaixo). Temas mitológicos, eróticos e galantes, comuns no século 18 e em Versalhes, onde o pintor era um protegido de Madame de Pompadour, da qual era retratista.

Diana saindo do banho




















Jean-Auguste Dominiques Ingres foi um pintor francês que transitou do neo-classicismo para  o romantismo. Seu quadro A Grande Odalisca é ícone pop. Ingres era fã confesso de Raphaello Sanzio, e suas mulheres tinham aquela aura renascentista em pleno século 19.


A Grande Odalisca






























Outro quadro famoso no Louvre é O Banho Turco, de 1862.

O Banho Turco, Ingrés

























Outra pintura francesa muito popular no Louvre é a Gabrielle d'Estrées et une de ses soeurs, da Escola de Fontainebleau. Gabrielle d'Estrées foi a amante do rei Henrique IV da França, o rei de Navarra alçado ao trono francês como o primeiro rei Bourbon, convertido ao catolicismo e casado anteriormente com Margarite de Valois. Antes de virar rei e ser convertido, Henrique quase foi trucidado na noite de São Bartolomeu, que era a noite do seu casamento com Margarite de Valois, em plena Notre Dome, por sua sogra, Catarina de Médici e seus cunhados. Posteriormente sua rainha consorte foi uma Maria de Médici, uma parente de sua vil sogra católica, mãe de Margarite, que o odiava e parente de todos seus cunhados, que lhe antecederam no trono da França.



A pintura não possui o nome do autor e é atribuída a Escola de Fontainebleau. Na pintura, A Duquesa de Beaufort Gabrielle é a loira da direita, e Marquesa de Monteceaux, a morena seria sua irmã. Ela estaria grávida d rei e sua irmã apalpa seus mamilos preparando-a para o aleitamento. Atrás, uma costureira tece o enxoval da chegada do bebê e acima, uma pintura mostra uma cortesã com as pernas abertas.

As pinturas francesas estão bem espalhadas nas três alas, o que dificulta um pouco percorrer tudo. Procure no site do Louvre onde elas estão dispostas, caso sejam o foco da sua visita.



Segundo piso da ala Sully e Richelieu.

Sala 76 do primeiro piso da ala Denon - pinturas de grande porte.